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O retorno de Gugu: quando o jornalismo escorrega para o entretenimento?

O retorno de Gugu Liberato à televisão faz pensar sobre a função social do jornalismo. É possível pensar em limites entre jornalismo e entretenimento?

porMaura Martins
18 de abril de 2015
em Televisão
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O retorno de Gugu: quando o jornalismo escorrega para o entretenimento?

Imagem: Reprodução.

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Me parece curioso observar a sobrevivência de alguns personagens do mundo da televisão em tempos de ajustes e reinvenção deste veículo, cada vez mais pressionado a se repensar para manter a importância de outrora. Sintoma destes novos tempos, por exemplo, é o desligamento de Xuxa da Globo, após ter sido mantida por anos na “geladeira” porque a emissora não sabia o que fazer com ela. Da mesma forma, o apresentador Luiz Bacci, comprado pela Band a preço de ouro pela Record na expectativa de altos níveis de audiência, teve seu programa desmantelado (leia aqui). Ou seja, mesmo os grandes figurões da televisão, que exploram há anos e anos seus velhos formatos, podem talvez não mais justificar os grandes salários pagos pelas emissoras.

Mesmo que alguns destes “pilares” pareçam ruir, outros seguem sob o foco dos veículos e, aparentemente, continuam valendo o investimento – nem que seja em razão da crítica quanto àquilo que fazem. Refiro-me à volta triunfal de Gugu Liberato à Rede Record, um ano após ter sido demitido dela. O programa intitulado simplesmente Programa do Gugu tem um tom algo vintage ao resgatar vários elementos e quadros do Viva a noite, seu primeiro grande sucesso no SBT. Há, portanto, uma certa intenção em agradar um público crescido nos anos 80 e saudosista quanto à década – pegando carona na febre desta época (hoje já meio demodê). A estética do seu programa na Record tenta deixar claro que a emissora importou o Gugu da “Dança dos Passarinhos” e não o apresentador já desacreditado pelas escolhas feitas ao longo de sua carreira.

A estratégia parece estar dado certo com o público e tem mobilizado outros apresentadores a repensarem seus programas em razão desta concorrência (leia aqui). Paradoxalmente, a Record importa com o programa não apenas o Gugu dos tempos áureos do SBT, como também o apresentador polêmico e criticado quanto às opções que explora. Entre os exemplos mais lembrados destas más contribuições à sociedade está a falsa entrevista feita com integrantes da facção criminosa PCC (saiba mais), em que dois homens encapuzados cederam entrevista ao apresentador. Tudo, claro, sob a pecha de “exclusividade”, tão explorada pelas mídias. Mais tarde, provaria-se que a entrevista era uma farsa.

As respostas dadas por Gugu e sua equipe às críticas sofridas tendem a se centralizar na justificativa de que o que se faz no programa é jornalismo; ou seja, tudo ali veiculado teria interesse público e de alguma forma traria contribuições à vida das pessoas.

O retorno de Gugu se dá na mesma linha e ele segue triunfando no lema “o que vale é gerar repercussão”. Uma das primeiras atrações do novo programa foi a entrevista de mais de um hora feita pelo apresentador com Suzane von Ritchthofen, condenada por ter planejado o assassinato dos pais. Espécie de celebridade do jornalismo policial, Suzane teve sua história exaustivamente explorada em razão, sobretudo, pelas características inusitadas do crime: como um pesadelo saído de “Romeu e Julieta”, o caso envolvia o protagonismo de uma jovem bonita e loira, de classe alta, que havia se envolvido com um moço de família pobre, com quem articulou o assassinato dos pais que eram contra o romance.

A entrevista teve bons níveis de audiência, e virou uma espécie de “viral” nas redes e nos outros veículos (o programa Tá no ar, da Globo, satirizou a entrevista em um de seus quadros), gerando repercussões em múltiplos sentidos. Uma das críticas centrais se deu pela abordagem e pelo espaço aberto à entrevistada: Gugu pergunta a Suzane não apenas sobre o crime que a tornou conhecida, mas faz comentários sobre sentimentos, sonhos, sua aparência e chega a comentar sobre o cuidado com suas unhas. Muitos enxergaram aí uma espécie de banalização do crime cometido e uma tentativa de humanizar (verbo que nós, jornalistas, adoramos) Suzane.

As respostas dadas por Gugu e sua equipe às críticas sofridas tendem a se centralizar na justificativa de que o que se faz no programa é jornalismo; ou seja, tudo ali veiculado teria interesse público e de alguma forma traria contribuições à vida das pessoas. Sendo o próprio Gugu um jornalista formado por uma das mais tradicionais faculdades do país, o episódio é interessante justamente para refletirmos sobre questões básicas e que interessam não só aos jornalistas, mas à população como um todo. Os quadros protagonizados por Gugu são jornalísticos? Se sim, por que então nos escandalizamos com o espaço às vozes existentes na sociedade, inclusive a dos criminosos – não seria essa uma função essencial da profissão? E qual seria o limite para que algo deixe de ser jornalístico e deslize para o entretenimento? Afinal, temos perfeita clareza da diferença entre o que Gugu faz e o que fazem os jornalistas considerados sérios?

Creio que haja, sim, muitos problemas no “estilo Gugu de jornalismo”, especialmente porque tende a perpetuar de forma vazia a celebridade em torno da criminosa. A entrevista fala do crime mais no que se refere a Suzane do que fala sobre nós, enquanto sociedade que possibilita que tal fato aconteça (o que fortaleceria, sem dúvida, seu interesse público). É inegável, porém, que o mau jornalismo do programa Gugu pode dar margem a uma reflexão pertinente sobre a natureza do que nós consumimos quando assistimos à televisão.

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Tags: bannerCríticaCrítica TelevisivaEntretenimentoGuguGugu LiberatoJornalismoLuiz BacciRatinhoSuzane Von RitchthofenViva a noiteXuxa

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